Hoje, contrariando toda a sua vida, ela não se sente amada. Sente que seu mundo, antes incompleto, está quase vazio.
Decepção é a palavra do dia (mês, ano talvez).
A frase “Don’t try to fix me, I’m not broken”, outrora usada para descrever a si mesma, parece-lhe inútil.
Seu quarto está vazio, sua mente confusa, a família distante, exceto pela mãe. A mãe sempre fora seu porto seguro, sua fortaleza indestrutível na rocha mais firme, no alto da montanha mais alta. Inabalável, forte e acolhedora. O que seria de sua vida sem a mãe? Nada, possivelmente.
Agora nada faz sentido. Seu universo está desconexo, de cabeça para baixo. Tão frágil como um prédio antigo. Alicerces abalados, prestes a desmoronar. A permanência de pé deve-se única e exclusivamente à sua fortaleza: a mãe.
Incompreensível o fato de, subitamente, o futuro não lhe parecer promissor como parecia há algumas semanas. Tinha planos traçados, territórios a conquistar, desejos a realizar. De repente um estalo. A luz apagou. E ela nem se lembra se pagara ou não a conta...

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