terça-feira, 12 de abril de 2011

Divagando

           Hoje, contrariando toda a sua vida, ela não se sente amada. Sente que seu mundo, antes incompleto, está quase vazio.
           Decepção é a palavra do dia (mês, ano talvez).
 A frase “Don’t try to fix me, I’m not broken”, outrora usada para descrever a si mesma, parece-lhe inútil.
            Seu quarto está vazio, sua mente confusa, a família distante, exceto pela mãe. A mãe sempre fora seu porto seguro, sua fortaleza indestrutível na rocha mais firme, no alto da montanha mais alta. Inabalável, forte e acolhedora. O que seria de sua vida sem a mãe? Nada, possivelmente.
            Agora nada faz sentido. Seu universo está desconexo, de cabeça para baixo. Tão frágil como um prédio antigo. Alicerces abalados, prestes a desmoronar. A permanência de pé deve-se única e exclusivamente à sua fortaleza: a mãe.
            Incompreensível o fato de, subitamente, o futuro não lhe parecer promissor como parecia há algumas semanas. Tinha planos traçados, territórios a conquistar, desejos a realizar. De repente um estalo. A luz apagou. E ela nem se lembra se pagara ou não a conta...

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Crônicas da Dor

Um dia triste, uma onda de choque passa por mim nesse minuto. Acordo e vejo na televisão uma notícia que me choca: um ex-aluno entra numa escola municipal, com a desculpa de que daria uma palestra e, sem motivo aparente, começa a atirar nas crianças da sala de aula. HORROR. Conforme as notícias chegam até as emissoras, um pensamento revoltante se forma em minha mente: “Ele MIROU na cabeça das crianças, Meu Deus!”.  Tudo bem, eu sei que não foi em sã consciência, mas isso é inaceitável. Ultrapassa qualquer limite da crueldade. MIRAR na cabeça de uma criança inocente. Rapidamente eu penso na minha escola. A escola onde trabalho. É pequena, será que teríamos tempo de fugir? Visualizo a cena como se estivesse ocorrendo em uma de minhas aulas de Inglês. Eu seria a primeira, já que sempre sou eu que abro a porta. Será que morreria ali mesmo? A sociedade está pronta para reagir num caso desses? Haveria resposta rápida por parte das ambulâncias? Os hospitais da região estariam preparados? Eu, particularmente, responderia à maioria dessas perguntas com um alto e sonoro NÃO.
Agora me coloco no papel daquela mãe, avó. Acordo às seis horas da manhã, passo o uniforme do meu filho/neto, preparo seu copo de leite com nescau e seu pão com manteiga e queijo – ele adora queijo. Vou acordá-lo e ele insiste que não quer ir para a escola. Diz que é chato, que sempre implicam com ele por ser baixinho. Eu digo que é importante, que se ele ainda quer ser um médico, como sempre diz, precisa estudar. E estudar muito. Ele se conforma, toma seu banho, toma seu café da manhã, escova os dentes, ajeita o uniforme, organiza o material escolar na mochila da Ecko que tanto gosta. Não sei por que essas crianças gostam tanto dessa tal de Ecko. Todos os seus amiguinhos compraram material da mesma marca e ele me fez prometer que compraria igual. Eu disse que veria, já que as coisas não andam muito bem aqui em casa. Mas como negar algo tão pequeno para um menino tão incrível? Comprei. Agora dá até gosto de ver como ele é caprichoso com seu material escolar. O levo até a escola, ajeito seu cabelo e dou-lhe um enorme beijo na testa. Sob protestos é claro. Ele reclama que as meninas vão achá-lo um “mané”. Eu acho graça e o deixo sob os cuidados do porteiro que logo o encaminha para dentro. Chego em casa e trato de arrumá-la. Já são dez e meia! Tenho que correr com o almoço. Agora é meio-dia. Ligo a televisão e começo a escutar o programa do Wagner Montes. Um calafrio percorre minha espinha. Aumento o volume para ouvir melhor e quase desmaio. Alguém entrou atirando em uma escola. Que horror Meu Deus. Rezo um “Pai Nosso” e rogo a Deus que tenha piedade dessas crianças e de suas famílias. Termino minha oração silenciosa e a informação me atinge como uma bala de canhão. É a escola do meu filho/neto! Largo a comida ainda no fogão, deixo tudo como estava e corro pela porta sem olhar pra trás! Por sorte moramos não muito longe da escola. Onde está minha criança? Onde está meu bebê? Uma movimentação de macas saindo no portão. Reconheço aquele tênis. É ELE! Corro e abro caminho pela multidão de curiosos. Chego perto e ele faz sinal para que aproxime meu ouvido de sua boca. Ele tenta falar alguma coisa em meio à dor. Fora baleado na cabeça. Ele me olha com ternura e diz com a voz quase sumindo: “Viu mãe/vó? É por isso que quero ser médico. Pra salvar gente como a gente.” Vejo a ambulância partir, implorando em meu coração para que minha prece silenciosa seja ouvida.

Que Deus tenha piedade dessas famílias e acolha essas crianças em Seu Reino de Luz. Hoje o céu ganhou mais alguns anjos.

terça-feira, 5 de abril de 2011

"Back to Black"

Venho amadurecendo a idéia de voltar a escrever em um blog já há algum tempo. Eis que hoje, conversando com meu amigo R-Vox , AKA Anderson Raposo , sou encorajada a voltar a escrever minhas sandices por aqui. Se você, que está lendo agora, espera algo do tipo "nata cultural da nova sociedade", "vamos falar sobre restart" ou "saiba como fazer uma escova marroquina em casa", perde seu tempo. Escreverei minhas experiências metafísicas no Maravilhoso Mundo de Eu Mesma, opiniões minhas, sobre cultura, sociedade e política (sem pretensão alguma de ser a nova Che Guevara), ao mesmo tempo em que falarei de poesia, seriados de televisão e música, além de toda a sorte de coisas estranhas que saírem de minha confusa cabecinha. Caso sinta-se tentado, está convidado a comentar minhas postagens, discordar, discutir e interagir. Não estamos em Cuba e eu não sou Fidel. Não sei exatamente no que isso vai dar. Não pretendo ser famosa. Não presumo ser engraçada, tampouco filosófa. Serei Eu. Muito prazer, pode me chamar de B!